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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A PÉROLA


Era uma vez uma concha.
Estava no fundo do mar embalada pelas ondas,
acariciada pela passagem ondulante de peixes coloridos e cavalos-marinhos
até que um dia ...
... uma tempestade chegou até ela transformando-lhe a vida

A violência das ondas impele-a sempre mais e mais,
fazendo com que gire, rode e grite,
transporta-a para longe até que
amolgada e ferida se detém.

Estava a tentar compreender onde tinha chegado,
quando, repentinamente
uma pontada lancinante a trespassou.
O que estava a acontecer?

E ... eis que, através das valvas no redemoinho de antes,
tinha se metido uma pedrinha que, embora pequenina,
possuía contornos esquinados e angulosos.
Na carne viva, doía muito...

A concha tentou mover-se e cuspi-la, mas sem resultado.
Tentou e voltou a tentar ainda nos dias seguintes.
A dor não passava.

Chorou e, pouco a pouco, as suas lágrimas cobriram a pedrinha.
Estranho!
A dor começava a atenuar-se.
Ainda procurou eliminá-la, mas já fazia parte dela.

Entre as malhas da rede, juntamente com os peixes,
o pescador viu uma concha.
Abriu-a e, caiu-lhe nas mãos rugosas e calejadas
uma pérola belíssima, reluzente.
Mirou-a e remirou-a:
Perfeita!

Os pescadores sabem que cada pérola tem uma história para contar
e ... encostou-a ao ouvido.
Escutando voltou a pensar na vida.

Quantas tempestades tinha atravessado.
Quantas solidões, quanta dor,
e raiva e rebelião ...
Quantas lágrimas se tinham misturado ás gotas do mar!
Precisamente aquelas lágrimas tinham conseguido
o milagre dentro dele.

Uma pérola, fruto da dor, renuncia e paciência,
daquela pedrinha que entra dentro de ti e já não consegues deitar fora.
Uma pérola capaz de iluminar quem se aproxima ...

O pescador olhou para aquele milagre encerrado na mão,
olhou a sua luz,
levantou o rosto para o céu limpo
e límpido sorriu.

Chiara M.

3 comentários:

  1. Minha querida!
    Que comovente história ( a da conchinha)!
    Que muito se assemelha a muitas histórias de vida dos Humanos.

    Adorei... e espero ler.te com tanto brilho como o fizeste agora.

    Um bom fim de semana.

    Beijinhos.

    Maria

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  2. Há um tempo em que é preciso
    abandonar as roupas usadas,
    que já têm a forma do nosso corpo,
    e esquecer os nossos caminhos,
    que nos levam sempre aos mesmos lugares.
    É o tempo da travessia:
    e, se não ousarmos fazê-la,
    teremos ficado, para sempre,
    à margem de nós mesmos

    Fernando Pessoa

    Te desejo um lindo domingo com muito amor e carinho
    Abraços

    ResponderEliminar