Entrou amparada pelo pai e pela avó. O laço vermelho a prender-lhe os longos cabelos louros, os olhos azuis a cintilar, as pernas a oscilar no vestido florido. Era ali o casting?, quisera saber... Sim, era ali. Mais exactamente num dos cantos da sala, num cenário devidamente engalanado para a pose dos pequenos "modelos".
O pai pega na menina ao colo e, sorriso rasgado e voz serena murmura: "Ela não se consegue manter de pé...". Eu, que já entretanto percebera que algo de "estranho" se passava com a menina, respondi de imediato: "Não faz mal! Arranja-se uma cadeira!". Não satisfeito o pai fez questão de prolongar a explicação: "Ela tem uma doença rara ... não consegue andar sozinha ... mas, mesmo assim, não quisemos privar desta experiência". Não me lembro muito bem do que respondi, mas algo entre o "fez muito bem" ou "pois claro" deve ter saído.
E a menina lá foi, encantada, apoiada pelos braços da avó, para a breve sessão de fotografias. Que, diga-se, não podia ter corrido melhor. Porque a B. fez questão de olhar para a máquina, de colocar nas poses, de brincar com os balões e, sobretudo de sorrir ... Sempre.
Não sei se percebeu exactamente o que se estava a passar, e o mais certo é ter estranhado a presença de tanta luz e gente desconhecida, mas uma coisa é certa: estava feliz. Como o estavam também o pai e a avó, orgulhosos com a "prestação" da sua menina.
Pelo meio a avó ainda contou que "foi uma bebé normal até ter uma ano", que só descobriram a doença porque ela não conseguia andar, que faz fisioterapia e está muito melhor, que acabara de ter uma irmã que estava em casa com a mãe... Enquanto isso o pai, radiante, não se cansava de mimar e incentivar a colaboração da menina naquele momento tão "especial". Quem sabe porque a "experiência", como ele lhe chamou, confirmou que a filha, apesar de "diferente". também era capaz de "brilhar". E que não é uma doença rara que consegue ofuscar o sorriso de uma menina... (...)
Helena Gatinho in revista Pais&Filhos de Nov. 2013
Li esta revista com a mão na barriga a sentir os movimentos do Santiago. Confesso que além da ternura também me assaltou um certo medo dos desafios que muitos pais enfrentam.
Grávida de 22 semanas sei que está tudo a correr muito bem e com saúde, mas se algo parecido me acontecer, só espero ter a serenidade necessária para ser a melhor mãe que possa vir a ser.
Aos seguidores que apesar da minha ausência não se esquecem de mim, deixem-me vos dizer que tive um dia de casamento maravilhoso, e esperamos, juntos em familia, com ansiedade a chegada do Santiago.