Estou perdida sem ti.
Sou uma alma á deriva sem lar, um pássaro solitário voando sem destino.
Sou todas essas coisas e nada ao mesmo tempo.
Isto meu querido é a minha vida sem ti.
Desejo que me mostres como viver novamente.
“…..A
questão era simples, para continuar ao seu lado, eu teria que desistir
de mim, da minha liberdade, da minha visão desestressada da vida. E era o
que estava muito próximo de ocorrer. Eu, uma adulta graduada, passei a
agir como criança. Passei a me desprezar. Estava me tornando uma mulher
medíocre, que perdia tempo dando explicações estapafúrdias sobre coisa
nenhuma. Quando você chegava aqui em casa sorridente, com uma garrafa de
vinho na mão e fazendo planos para o final de semana que passaríamos
juntos, eu pisava em ovos para que este final de semana não terminasse
dali a três horas por causa de um mal-entendido ou de uma frase que não
caísse bem aos teus ouvidos. As vezes sobrevivíamos de sexta a domingo
sem atravessar a fronteira de risco, mantendo-nos dentro de um cordão de
isolamento imaginário – os limites que traçávamos para nosso equilíbrio
conjugal. Eu não olhava para os lados e você não tirava os olhos de
mim, e assim ficávamos seg
uros, ao menos
em tese, porque de santo você não tinha nada, sempre foi mulherengo. Mas
me adorava, me amava, nossa, como me amava.
E eu, será que ainda me amava??
Uma mulher que procurava não tocar em assuntos que pudessem resultar em
atrito. Uma mulher que evitava ser espirituosa com receio de não ser
compreendida. Uma mulher que não dava opiniões contundentes para não
parecer moderna demais. Uma mulher que escondia o fato de ter encontrado
um amigo na rua porque era um amigo e não uma amiga. Uma mulher que
estava se tornando ciumenta também, porque não sentir ciumes poderia
denunciar algum desinteresse. Uma mulher pouco parecida comigo, era esta
mulher em quem eu estava me transformando.
Você que ao entrar na
minha vida havia reinaugurado em mim uma sensualidade, uma vitalidade e
uma alegria que estavam obstruídas havia muitos anos, inaugurava agora
em mim uma criatura que não reconheço como sendo eu, uma mulher que
pensava duas vezes antes de falar e que de forma vergonhosa desenvolveu
um perfil careta, totalmente em desacordo com o que eu era de fato.
Depois de ter sido solta por você, voltava a ser amarrada……”
Martha Medeiros in “Fora de Mim” Lygia♥
Este texto chegou ás minhas mãos por ordem divina, e inundou de imediato os meus olhos ... estava destinada a lê-lo. Ao lê-lo vi-me ao espelho.....
Uma vida assim deixa tanta ferida ... tanta marca ... que não sei se algum dia irão cicatrizar ou desaparecer. Hoje vivo á deriva no presente ... temendo o futuro ... resignada a todo o sofrimento que sinto, com medo de amar ... principalmente com medo de voltar a sofrer.
Parece incrível (para quem me conhece) ouvir-me dizer uma coisa dessas. Esta lição aprendi-a recentemente, com lágrimas, dor dilacerante no peito, digo e repito: o amor não é suficiente. É importante sim ... muito importante ... mas amor sem respeito, torna-se abusivo ... amor sem amizade, torna-se incompreendido ... amor sem confiança, torna-se sufocante.
É como na anatomia humana ... o coração pode ser considerado o motor da vida ... mas o coração sem o cérebro não consegue viver ... morte cerebral é morte humana.
Dificil é ver duas pessoas que se amam, e não ficam juntas por falta de um dos requisitos acima referidos. Dificil é ter de dizer "não" ao chamado do coração por essa pessoa que tanto se ama.
E quando me pergunta como sei que se vai repetir, terei de responder porque já vivi esse episódio, e tendo vivido e sofrido, o medo de voltar a sofrer reage em força impedindo a sua repetição.
Quando a distância é muita ... então a dificuldade é duplamente maior ... a ausência de quem se ama numa situação delicada da vida, transforma-se em rancor dissimulado, mesmo dizendo para si mesmo que entende essa ausência.
O tempo passa ... a vida corre ... mas o amor não morre ... só que ... o amor não é suficiente.
Sempre tua ... Bela
Eu sei viver sozinha ... só que não sei viver sem ti